quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O “Pokemon Go” que existe em todos nós

Era inevitável tocar nesse assunto. Não porque todos o estão fazendo, mas porque se trata de um fenômeno bastante interessante e, como sempre, passível de algumas análises…

A “febre” deste jogo nos mostra coisas essenciais sobre o nosso funcionamento psíquico. A começar pela insatisfação crônica que nos define e a necessidade incessante de adquirir algo que não temos.

Nós, como sujeitos, somos constituídos pela falta. Desde que percebemos que não somos onipotentes e que o eixo de rotação terrestre não se dá ao redor de nossos umbigos, como acreditávamos quando bebês, nos deparamos com a dura realidade de não ter aquele conforto e prazer que sentíamos na fase áurea dos primeiros anos de vida, em que contávamos com todo o cuidado necessário para que nossa vida pudesse acontecer. Acreditávamos ser o mundo inteiro para alguém. Quando caímos na real, nos damos conta desse sentimento de desamparo causado pela perda de um ‘poder absoluto’ e nos vemos obrigados a buscá-lo em outras figuras por aí. Daí é que surgem os nossos desejos. É a falta que cria o desejo.

Para preencher esse vazio existencial que nos habita, oportunidades é que não faltam. A sociedade do consumo que se instalou nos tempos modernos está, a todo momento, nos apresentando milhares de formas de tapar o buraco. Cada um escolhe as suas maneiras de buscar essa completude. Pode ser a comida, as compras no shopping, o carro, o esporte, o trabalho, as drogas. Já inventamos milhares de opções para nos satisfazer. Capturar Pokemons é só mais uma delas. Elas envolvem o prazer, a satisfação, o controle, a competição e o desejo de ter mais, que, por vezes, pode se tornar compulsório. E todas elas têm o efêmero como condição existencial.

Em termos de massa, a cada fase que passamos, nos deparamos com novos tipos de “buracos sociais”, que vão modificando seus formatos. Mudam-se as épocas, mudam-se as necessidades.
Um jogo que faz com as pessoas circulem pelos espaços públicos parece estar respondendo a uma demanda social de interação. As pessoas se movimentam e se encontram, mesmo que estejam vidradas no celular. Traz um pouco da realidade e tira um tanto do peso de um sedentarismo daqueles que jogam video games na televisão ou mesmo nos aparelhos móveis, mas permanecem estáticos. Ou até mesmo para aqueles que simplesmente não saíam de casa. São inúmeros os casos sobre o que o jogo tem feito, de bom e de mal, com os usuários.
Os mais jovens sentem-se bem ao fazer parte da massa, da rede conectada. Os menos jovens sentem-se bem ao fazer parte do que se liga à juventude. É inclusivo e acessível, o que o faz encaixar-se perfeitamente dentro da lógica do consumismo.

Poderíamos prolongar muito mais as reflexões acerca de todos esses vícios que nos fisgam disfarçadamente. Sem contar com as teorias conspiracionistas que vivem nos assombrando. Mas o ponto principal é justamente fazer com que fique clara a ideia de que nada do que está fora pode nos preencher. O vazio, a falta, o buraco só deixam de causar sofrimento se acolhidos por nós mesmos, pelo nosso próprio afeto e por meio de recursos psíquicos, que são internos. São eles que vão nos fazer aceitar aquela dura verdade, que continuará existindo por toda a vida. Vão nos fazer entender que não chegaremos a tão desejada completude, e que isso é bom. Precisamos do desejo para viver.

E, já que essa busca é eterna, o que podemos fazer é pensar sobre o que escolhemos como representantes da nossa satisfação, de forma que cause resultados melhores para nós e para o mundo.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013


Questionar tudo, sempre. Principalmente as nossas próprias certezas. Assim, aprendemos muito mais sobre nós e sobre o mundo.

*by caixa filosofal

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pet Terapia

Estava lendo algumas matérias sobre psicologia e terapia e achei essa matéria super interessante sobre Pet Terapia - a terapia feita com a ajuda de animais de estimação. Ela foi retirada do site Minha Vida (www.minhavida.com.br), que fala sobre saúde, alimentação e bem-estar.
Algumas colegas fazem este trabalho no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e sempre me falam que tem uma eficácia impressionante. Por isso, quis compartilhar a matéria com vocês.
Aí vai!




Na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. O juramento dos matrimônios se encaixa muito bem na fidelidade dos animais de estimação. Inclusive, hoje a última parte pode ser levada ao pé da letra: está se tornando cada vez mais comum que os pets colaborem para a recuperação de pacientes dos mais variados casos clínicos. "A Terapia Assistida por Animais (TAA) consiste em tratamentos na área da saúde, onde um animal é co-terapeuta e auxilia o paciente a atingir os objetivos propostos para o tratamento", ensina Laís Milani, psicóloga e membro da diretoria da área de Terapia Assistida por Animais do Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais (Inataa).

No Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, a entrada de bichos de estimação é liberada desde o ano de 2009, desde que autorizado pelo médico responsável de cada paciente. "Na verdade sempre existiu essa solicitação, que partia de pacientes e familiares. Como existia demanda e isso até encurta a permanência das pessoas no hospital, de acordo com diversos estudos, criamos esse fluxo e o transformamos em uma rotina, com procedimentos claramente definidos e institucionalizados", explica Rita Grotto, gerente de atendimento ao cliente do hospital.

Muitas instituições e ONGs também trabalham levando esses animais até escolas, hospitais e centros de recuperações, como no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia em São Paulo, e na APAE de Nova Iguaçu e na Casa Abrigo Betel, ambas no Rio de Janeiro. E em muitos casos o animal terapeuta não precisa ser disponibilizado por uma organização não governamental, pode ser o próprio bichinho do paciente.

Qual o animal certo para a pet terapia?
Nem todo animal nasceu para ser um terapeuta, por assim dizer. "Ele precisa ser tranquilo, ter uma personalidade que as pessoas possam abraçar, beijar e apertar, sem que ele reaja", explica o adestrador José Luis Doroci, fundador do Projeto Novo Guia. Os animais mais comuns são os cães e os cavalos, que no geral tem um temperamento mais dócil. Mas gatos, jabutis, peixes, coelhos e aves também podem e são usados nesse tipo de projeto. Até mesmo botos, cobras e aranhas, animais bem mais exóticos, são terapeutas. Quando o pet pertence ao dono, um profissional especializado em TAA pode ajudá-lo a fazer a terapia em casa com o bicho de estimação.

Animais que curam
O benefício terapêutico dos bichos já vem sendo observado há algum tempo. "Em 1955, no Brasil, a psiquiatra Nise da Silveira relatou os benefícios desta interação no convívio de seus pacientes esquizofrênicos com cães e gatos adotados pela instituição aonde trabalhava", relembra Cristiane Blanco, também psicóloga do Inataa.


Não há uma recomendação específica de quem pode ser ajudado pela pet terapia. "Qualquer paciente pode ser beneficiado, desde que não haja alguma contraindicação, como por exemplo, medo de animais, alergia ou problemas de respiração, entre outros", observa a psicóloga Fabiana Oliveira, do Instituto para Atividades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas (Ateac). Porém, alguns tipos de pacientes e alguns quadros clínicos têm um resultado já atestado. 

Tristeza ou Depressão?

Se as pessoas não quisessem ser tão felizes o tempo todo, elas seriam mais felizes.

     Costumo dizer isso, pois a tristeza é uma das coisas mais negadas e não aceitas na sociedade. As pessoas não se permitem ficar tristes e pensar sobre suas questões.
Uma pessoa pode ter qualquer doença, disfunção, anomalia médica, ou até mesmo outra doença psíquica - como ansiedade ou TOC -, mas quando fala que tem depressão, é vista com outros olhos.

     A maioria das pessoas têm grande dificuldade de aceitar a tristeza tanto em si mesmas, quanto nos outros, tendo a ilusão de que essa negação as torna mais fortes. Grande engano.

     Isso acaba sendo um problema para os que sofrem desta doença. Sim, depressão é uma doença, com sintomas, tratamento e cura, como muitas outras. Trata-se de reações químicas no cérebro, que afetam o funcionamento de neurotransmissores, que devem levar as sensações de prazer, ânimo, sono, fome e etc. Quando não funcionam como deveriam, estas funções ficam desorganizadas e desequilibradas no cérebro. 

     Por isso, muito frequentemente, é necessário o uso de algum medicamento para ajudar o paciente a sair desta situação. Ora, se alguém tem dor de cabeça, gastrite ou pressão alta não toma remédio? Pois é, na depressão também. Dor na alma também pode ser tratada.

     Estas são duas perguntas básicas para verificar se uma pessoa pode estar deprimida:
Durante o último mês, você esteve frequentemente chateado por se sentir deprimido e desesperançado?
Durante o último mês você esteve frequentemente chateado por sentir falta de interesse nas atividades?
     Se você respondeu sim a uma das duas, fique atento para os outros sintomas. O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas que incluam obrigatoriamente espírito deprimido ou anedônia, durante pelo menos duas semanas, provocando distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos da atividade diária.
1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias;
2) Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;
3) Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional;
4) Distúrbio de sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
5) Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;
6) Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente;
7) Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade;
8) Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se;
9) Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.
De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.
     Se você se encaixa no diagnóstico da depressão, consulte um psicólogo ou psiquiatra para começar o tratamento o quanto antes.
     As sensações descritas acima são extremamente dolorosas e causam sofrimento e angústia no paciente ao se deparar com a dificuldade que está tendo em fazer atividades simples e rotineiras.
     O tratamento ideal é o uso de medicamento - com o acompanhamento essencial de um médico psiquiatra -, terapia ou análise - para entender os motivos e fazer com que o remédio funcione da melhor forma possível -, e a prática de exercícios físicos, que também colaboram para o bem-estar mental.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Psicologia ou Psicanálise?

       Para dar as boas vindas ao retorno do blog, resolvi responder a pergunta que as pessoas mais me fazem:

Qual é a diferença entre Psicologia e Psicanálise?

       Bom, vamos lá.

     A Psicologia é o estudo da psique que, em sua origem grega, significa alma ou mente. Para a Ciência, a Psicologia é o estudo dos processos mentais e dos comportamentos humanos. Temos que tomar cuidado para não confundirmos com os termos usados popularmente, quando se fala sobre idéias ou culturas diferentes pois, neste caso, não se trata de ciência e sim do senso comum. 

    Como a mente humana é uma coisa extremamente complexa e ampla, dentro de seu estudo existem diferentes vertentes de visão e abordagem, que vêm com técnicas e objetivos diferentes. Alguns exemplos são: Psicologia do Desenvolvimento - que estuda as fases da vida e suas características específicas; a Psicologia Cognitiva - que estuda aspectos da mente como a atenção, memória, linguagem etc, ligando-os aos fatores externos que os influenciam; a Psicologia Humanista - que é baseada em como a pessoa vivencia sua existência e entende sua experiência interna e individualmente; entre muitas outras abordagens.

     O que "as psicologias" têm em comum, é que todas elas estão voltadas ao processos conscientes da mente - aquilo que sabemos sobre nós mesmos e conseguimos falar a respeito.


O divã de Freud, criador da Psicanálise, em Londres.


        A diferença é que a Psicanálise está focada nos processos inconscientes da mente, ou seja, tudo que está por trás do que falamos, fazemos e sentimos, e fazer com que eles se tornem conscientes para o sujeito. Por exemplo, quando o paciente está muito ansioso, deprimido, com alguma fobia (o que chamamos de sintomas) ou até com alguma doença orgânica e não sabe muito bem o motivo que o levou a ficar assim, o psicanalista o ajuda a descobrir o que está ligado ao sintoma, quais são os verdadeiros sentimentos e idéias que vêm junto com ele. Assim, o paciente toma consciência de partes dele que nem ele mesmo conhecia, e passa a compreender as coisas que estão acontecendo em sua vida de forma mais efetiva. Neste processo, o sintoma vai se desfazendo, pois vai perdendo o sentido de sua existência para o sujeito.
        Para que isso seja possível, a Psicanálise tem uma teoria enorme sobre o funcionamento do inconsciente e uma técnica específica de trabalho, que é a "associação livre " de idéias, ou seja, o paciente deita no divã (de preferência) e fala sobre tudo que está passando em sua mente, sem prejulgamentos ou filtro e, então, vão sendo feitas associações entre as coisas que estão sendo ditas, para que assim se possa chegar ao objetivo principal: o auto-conhecimento. Somente assim é possível haver a cura do sintoma.

        O importante é escolher aquilo que faz mais sentido e funciona melhor pra você.



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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sobre o Intocável






Achei incrível a forma como um assunto delicado é tratado com um humor cuidadoso e leve. Certamente, um dos melhores filmes que já vi – recomendo a todos.
Mas, além disso, um ponto especial do filme me chamou a atenção.
Há um momento na história de Philippe – um dos protagonistas, que é tetraplégico – em que um de seus fiéis funcionários diz que o novo enfermeiro contratado por ele não é bom o suficiente, o que preocupava a todos. Eles achavam que o moço não tinha compaixão para ser um bom cuidador. Neste momento, Philippe diz: “Era exatamente o que eu queria”. Claro. E ele tem toda razão. Não é nada saudável alguém querer isso. Mas, por que não?




Dó, pena, piedade. Estas são palavras da mesma família da compaixão. Quando alguém tem estes sentimentos por outra pessoa, significa não só que a está tratando com inferioridade, mas que está tirando sua autonomia para chegar ao alcance dos outros, que ilusoriamente são melhores. Essas palavras não tocam ninguém. Pelo contrário, só afastam. Ao dizer: “Oh, tadinho!”, toda a capacidade de ser “um igual” ou “normal” é arrancada da pessoa, como se estivessem dizendo que ela não será capaz de sair de tal situação quando, na verdade, tudo o que se quer é que sua posição prejudicada ou desfavorável seja reconhecida sim, mas acima de tudo compreendida, e que o foco esteja nos recursos que se tem para sair disso e pensar em todas as formas que se possa, de fato, ajudar pra isso acontecer, já que sentir pena não leva a lugar algum. Desta maneira, uma pessoa como Philippe ou mesmo alguém que se vê simplesmente aborrecido, encontraria uma maneira saudável de lidar com suas mágoas.
               Digo saudável, pois existem muitas pessoas que tem certa atração por essa tal posição e a todo o momento se colocam como vítimas dos acontecimentos da vida, como coitadas, o que só as fazem ficar cada vez mais fracas. Isso sim é enfermidade.

              


Assista ao trailer aqui. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sentir, Falar e Agir



      Certa vez, uma amiga me contou um ensinamento da filosofia budista que me encantou. Ele diz que devemos sentir, falar e agir a mesma coisa em relação a determinado assunto. Ou seja, temos que ser coerentes e alinhar o sentimento, a fala e a atitude que temos diante daquilo que, de alguma forma, nos comove.
        Muitas coisas passam despercebidas pela nossa mente e, apesar de sentirmos ou pensarmos de alguma forma, falamos ou agimos bem diferente disso, o que acaba nos confundindo.
        Os sentimentos, como já sabemos, existem justamente para serem sentidos, não para serem rejeitados. Não importa se estão certos ou errados, se são bonitos ou não, o que realmente importa é que eles são nossos, cada um a sua forma e é com eles que temos de lidar o tempo todo. Por isso a importância da coerência. Se não há uma conversa entre essas "instâncias", continuamos negando a nós mesmos.
         O fato de não conseguirmos estabelecer esta comunicação, pode estar ligado a inseguranças e medos que temos de assumir escolhas e bancar nossas próprias decisões. Muitas vezes, achamos mais fácil deixar nas mãos de outra pessoa, ou até mesmo do famoso "destino" as coisas que acontecem em nossas vidas - o que é um grande erro. Digo isso, pois toda vez que tiramos a responsabilidade de nossas mãos, perdemos um pouco de autonomia. Sendo grande ou pequena a atitude de escolher que temos diante de nós, opte por tomar as rédeas da situação, pensando sempre no que te faz melhor. Não tenha medo de errar, isso é grande parte do processo de amadurecimento. Não confunda responsabilidade com culpa, isso só vai te prejudicar e te deixar preso à questões que não são suas. Assim, além de todos os benefícios de se sentir dono do seu nariz, sem dúvida você vai se conhecer um pouco melhor.

quinta-feira, 19 de maio de 2011


   Sair da zona de conforto não é fácil pra ninguém. Já dizia o ditado: "Crescer dói". Encarar a vida real e suas dificuldades pode ser duro, mas pode também ser um fortificante natural. A dica é  tirar o máximo de proveito de cada obstáculo, e fazer disso uma experiência inesquecível, no melhor sentido que isso possa ter.
   Fazer de tudo um grande drama ou ocupar a posição de vítima não traz benefícios a ninguém. Só nos torna cada vez mais fracos.
   Quanto maior os desafios que vencemos, mais fortes ficamos, mais nos conhecemos e mais livres podemos ser.
   Pense em como é bom tomar as rédeas da própria vida e ser dono do próprio nariz.
   Termino com uma frase de George Bernard Shaw:

"Liberdade significa responsabilidade.

É por isso que tanta gente tem medo dela."

Tudo Por Você

   Uma palavra que, na minha opinião, deveria ser retirada do dicionário é altruísmo. Nenhum ser humano é capaz de realizar ou dizer algo a alguém sem pensar em si próprio. Antes de discordar, leia o que vem a seguir.
   Uma coisa que todos nós queremos em comum, é reconhecimento. Seja no trabalho, nos estudos, com os amigos ou com a família, onde certamente é o núcleo de tudo, estamos sempre buscando uma palavra ou um gesto que nos diga que estamos indo bem ou que fizemos algo bom. E então, nos vem aquela sensação de bem estar e segurança para seguir adiante, firmes e fortes. Ficamos frustrados quando isso não acontece.
   Portanto, quando digo que o altruísmo simplesmente não existe, não quero que pensem que somos maus ou extremamente egoístas - não é disso que se trata. O que quero dizer é que não fazemos as coisas pensando só e simplesmente no prazer ou felicidade dos outros, mas sim também em nosso próprio bem estar ao fazê-lo. Mesmo uma generosa doação a uma creche, tem seu desejo pelo sentimento de "eu sou do bem" e isso nos faz bem. Tanto é, que existem os que doam e os que não doam. Cada um busca um sentimento.
   Quando dizemos algo legal ou bonito para alguém, queremos, no fundo, que este alguém reconheça e demonstre algum tipo de agradecimento, mesmo sutilmente. Se realizamos uma obra super interessante, queremos mostrar àquelas pessoas específicas que irão de alguma forma a apreciar. Até aí, normal. Os que chamam a atenção são aqueles que sempre fazem as coisas esperando coisas de volta, como se estivessem fazendo favores o tempo todo. Isso sim é ruim.
   Mas, ainda sim, o que mais fere os meus ouvidos, é quando alguém diz que tomou alguma atitude, mostrando sofrimento, por outra pessoa. Isso não é verdade. Estou falando de frases como: "Não posso sair de casa, para não deixar meu pais", "Não peço o divórcio por causa dos meus filhos" ou "Eu menti para não magoá-la". Por trás dessas frases há insegurança e medo de assumir certas responsabilidades de grande peso, que causariam mudanças que achamos não estarmos prontos para enfrentar.
   A verdade é que está em nossas mãos conquistar aquilo que queremos, independente do que os outros pensam ou sentem em relação a isso. Buscamos  nossa própria felicidade sempre, o que é bom, acredite! Não temos o controle dos sentimentos dos outros e sim dos nossos.
   A próxima vez que disser algo desse tipo, pense no que isso representa para você, por trás do que representa para o outro.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E Essa Ansiedade Que Não Passa?!?



Alguns bebem, outros comem, outros fumam. A ansiedade está por todo lado. Em cada olhar aflito, em cada unha roída, em cada tremedeira e nas batidas rápidas do coração. Geralmente, ela não é das melhores sensações a se ter, mas, acreditem se quiser, ela tem seu lado bom.
Para podermos entender o que é ansiedade na psicanálise, precisamos saber que uma das coisas que rege o nosso psiquismo é o chamado Princípio de Prazer. É simples: a mente tenta sempre buscar o prazer e evitar o desprazer e, para isso, utiliza diversos mecanismos. Agora sim, vamos à origem.
Existem duas situações às quais a ansiedade se relaciona: situações traumáticas e situações de perigo.
Podemos dizer que as situações traumáticas são aquelas em que a psique recebe uma quantidade muito grande de estímulos e não consegue descarregá-los nem dominá-los, desenvolvendo então a ansiedade. Um exemplo clássico: o bebê com fome na ausência da mãe - ele não consegue obter prazer sozinho, satisfazer seu desejo de alimentar-se, então, sua mente é invadida por estímulos que não são nem descarregados nem dominados.
As situações de perigo se dão ainda antes disso. É quando agimos com ansiedade a fim de antecipar o início de uma situação traumática e evitá-la antes mesmo que ela se torne traumática, o que pode ser chamado de "ansiedade de alarme". No caso do bebê, a ausência da mãe cria uma ansiedade por ser uma situação de perigo pois, se ele tiver fome e ela não estiver presente, isso se tornará uma situação traumática.
Ou seja, o Ego sempre reage com ansiedade diante de uma situação de perigo para evitar situações traumáticas pois, assim, gera menos desprazer à psique.
A ansiedade serve como uma força para o Ego dominar as pulsões ("instintos").
Portanto, há uma grande importância dessa emoção na vida psíquica de uma pessoa. Se não nos sentíssemos aterrorizados com nada, não iríamos sobreviver.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quem Disse Que Ele Não É Moderno?

    Muita gente diz que as idéias do Mestre são ultrapassadas e não mais se aplicam aos dias de hoje. Claro que eu discordo totalmente desse pensamento e insisto em dizer que suas teorias sobre a psique humana são geniais e eternas.
    Deixo uma frase dele, para reflexão:

Freud


"...é principalmente através de sua própria experiência e infortúnios que uma pessoa se torna sagaz...de erro em erro, vai se descobrindo toda a verdade..."

  

Louco Talvez, Sozinho Jamais!


    Todos nós temos hábitos, manias e vícios que podem ser considerados um tanto quanto curiosos. Pra não correr o risco de sermos tachados como loucos ou mesmo estranhos, trancamos a maioria a sete chaves para protegê-los de qualquer tipo de julgamento ou rejeição.
    Mas existe também aquela pequena parte de nossos insanos pensamentos que nos causa uma vontade de abrir o jogo e compartilhar. Isso certamente só acontece quando encontramos alguém ou "alguéns" para dividir essa loucura - alguém que se identifique com esse nosso lado e nos faça sentir um pouco mais normais só por saber que não somos os únicos no mundo a pirar.
    Geralmente, a loucura quando é compartilhada perde seu status de loucura e, quanto maior o número de pessoas que participam desse grupo, mais normal ela se torna. Afinal, é o que eu costumo dizer, o normal é apenas uma questão de freqüencia e não do que é certo.
    Com as possibilidades crescentes que existem de se conectar com as mais diferentes pessoas e culturas do nosso planeta - e daqui a pouco quem sabe de outros planetas - nos sentimos mais a vontade de confessar nossas doidices e não ficamos mais tão chocados com as dos outros. O que se pensa é: tem louco pra tudo!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Auto-Sinceridade



É mesmo uma pena saber que tanta gente foge dos sentimentos mais puros que têm. Culpam-se pela falta de alegria, por sentirem raiva e sentem-se mal quando têm medo, enquanto tudo isso faz parte da natureza humana.
Claro que não é bom sair por aí gritando com todo mundo e nem se jogar na cama pra não levantar mais, mas não precisa ter receio e nem vergonha dos sentimentos, por piores que eles sejam - mesmo que só para você. Tudo bem sentir raiva. Não tem problema você ficar triste em alguns momentos. Triste é ter que ser feliz o tempo todo. Os sentimentos estão aí para serem sentidos! E é o melhor a se fazer.
O que não pode é esconder e nem guardar, principalmente de si mesmo pois, assim, eles ficariam reprimidos em algum lugarzinho da cabeça. Aí já viu...acabam escapando de algum outro jeito que, geralmente, não é nada agradável.
A sinceridade "interna" - aquela que é para nós mesmos - é essencial para que possamos ficar tranquilos e viver bem com as outras pessoas.


Arte de Elvis N. - http://www.ocasteloanimado.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Opinião ou Rótulo?

Arte de Elvis N. - http://www.ocasteloanimado.blogspot.com/

Os 5 Estágios de Uma Perda

Existem 5 estágios pelos quais todos nós podemos passar quando vivemos uma grande perda, de acordo com a Psicologia do Desenvolvimento. São eles:

1.Negação 
2.Raiva
3.Negociação
4.Depressão
5.Aceitação

Neste vídeo podemos ver melhor como elas acontecem!




Elisabeth Kübler-Ross originalmente aplicou estes estágios para qualquer forma de perda pessoal catastrófica, desde a morte de um ente querido e até o divórcio. Ela diz também que estes estágios nem sempre acontecem nesta ordem e não são todas as pessoas que os experienciam, mas afirma que uma pessoa sempre passará por pelo menos dois deles.


Diariamente, podemos perceber que qualquer mudança pessoal significativa ou situações difíceis podem levar as pessoas a alguns destes 5 estágios. Um advogado criminalista de defesa, por exemplo, pode perceber que os réus que estão enfrentando a possibilidade de punições severas com pouca ou nenhuma chance de evitá-las, freqüentemente experimentam estes estágios durante o processo.
É só prestar atenção, você vai ver claramente que Kübler-Ross está certa!

Relaxa, é psicológico!



Freud
    Quando sentimos alguma dor ou sensação estranha no corpo e não encontramos justificativas concretas para explicá-las, costumamos ouvir de alguém ou pensar: "é psicológico!".  Pode ser, mas isso não significa que esta dor não seja real. Ela é tão real quanto qualquer outro tipo de dor e tem até um nome próprio: psicogênica, ou seja, tem origem exclusivamente psíquica.
    Isto significa que quando há um conflito em nossa mente com o qual não conseguimos lidar ou não somos capazes de resolver num dado momento, a psique usa seus mecanismos de defesa para suportar essa angústia, que muitas vezes é inconsciente. Uma das formas de defesa é mandar este conteúdo para o corpo, formando um sintoma. Parece que não, mas nossa mente sempre acha mais fácil lidar com algo conhecido como, no caso, uma dor.
    Mesmo quando vamos cheios de reclamações ao médico tentar descobrir o que há de errado com a saúde e, até depois de exames feitos, ele nos diz que não temos nada. Esse "nada" está repleto de significado para a psicologia e, principalmente, para uma vertente que se chama Psicossomática - ou seja, psico=mente/alma e soma=corpo - que consiste na ciência que integra medicina e psicologia para estudar os efeitos de fatores psicológicos sobre processos orgânicos do corpo.
    Mente, corpo, alma, espírito...qualquer que seja o nome que se dê, está tudo conectado dentro de um só corpo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Homem Primata X Capitalismo Selvagem


Desde os primórdios, até hoje em dia, as pessoas tentam encontrar a melhor maneira de conviver em sociedade. Ajustam-se uns aos outros para que possa existir uma harmonia entre a grande diversidade que há em todo tipo de gente.
Essa condição de seres civilizados, nos obriga a abrir mão de uma série de vontades e desejos que temos naturalmente. Não estou falando de instintos - mesmo por que não acredito que o ser humano tenha este tipo de condição - mas sim de pulsões.
As pulsões criam energia psíquica que se acumula na mente e precisa ser descarregada de alguma forma. Quando ferem o moralismo ou a ética, essas pulsões são reprimidas pela sociedade  e, por isso - já dizia Freud - são o que causam o "mal-estar na civilização"¹. Assim, dão lugar a tipos de loucuras e, principalmente, agressividades, pois elas simplesmente arranjam um jeitinho de escapar, seja em palavras ou atitudes, seja singular ou coletivamente.
Até mesmo o nosso tempo, é totalmente condicionado para que possamos combinar o nosso dia com as pessoas ao nosso redor. Ok, agora vamos acordar, tomamos café da manhã, entre tal e tal horário é o nosso almoço e, depois do trabalho jantamos e vamos dormir praticamente na mesma hora. Já nos esquecemos que, se deixassemos acontecer naturalmente, comeríamos um pouco a cada tanto tempo durante o dia inteiro, e o mesmo aconteceria com o nosso sono.
Depois da explosão do capitalismo isto ficou ainda mais regrado. Há um bom tempo, as pessoas têm outro fator pra se preocuparem: o lucro. É mais fácil pensar que nossos dias e tudo que fazemos é regrado por esse atual desejo geral das nações e que ele acaba bagunçando tudo aquilo que tínhamos como essencial.
Haja psicólogo!

Fica aí uma frase do mestre, para pensar:


"A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas."
                                                                                                     S.F.


¹ Freud, Sigmund. "O Mal-Estar na Civilização". 1930.

Piadinha!

O maníaco depressivo chegou para o megalomaníaco e disse:
- Até Deus está contra mim!
E o megalomaníaco respondeu:
- Eu?????