quinta-feira, 25 de julho de 2013

Psicologia ou Psicanálise?

       Para dar as boas vindas ao retorno do blog, resolvi responder a pergunta que as pessoas mais me fazem:

Qual é a diferença entre Psicologia e Psicanálise?

       Bom, vamos lá.

     A Psicologia é o estudo da psique que, em sua origem grega, significa alma ou mente. Para a Ciência, a Psicologia é o estudo dos processos mentais e dos comportamentos humanos. Temos que tomar cuidado para não confundirmos com os termos usados popularmente, quando se fala sobre idéias ou culturas diferentes pois, neste caso, não se trata de ciência e sim do senso comum. 

    Como a mente humana é uma coisa extremamente complexa e ampla, dentro de seu estudo existem diferentes vertentes de visão e abordagem, que vêm com técnicas e objetivos diferentes. Alguns exemplos são: Psicologia do Desenvolvimento - que estuda as fases da vida e suas características específicas; a Psicologia Cognitiva - que estuda aspectos da mente como a atenção, memória, linguagem etc, ligando-os aos fatores externos que os influenciam; a Psicologia Humanista - que é baseada em como a pessoa vivencia sua existência e entende sua experiência interna e individualmente; entre muitas outras abordagens.

     O que "as psicologias" têm em comum, é que todas elas estão voltadas ao processos conscientes da mente - aquilo que sabemos sobre nós mesmos e conseguimos falar a respeito.


O divã de Freud, criador da Psicanálise, em Londres.


        A diferença é que a Psicanálise está focada nos processos inconscientes da mente, ou seja, tudo que está por trás do que falamos, fazemos e sentimos, e fazer com que eles se tornem conscientes para o sujeito. Por exemplo, quando o paciente está muito ansioso, deprimido, com alguma fobia (o que chamamos de sintomas) ou até com alguma doença orgânica e não sabe muito bem o motivo que o levou a ficar assim, o psicanalista o ajuda a descobrir o que está ligado ao sintoma, quais são os verdadeiros sentimentos e idéias que vêm junto com ele. Assim, o paciente toma consciência de partes dele que nem ele mesmo conhecia, e passa a compreender as coisas que estão acontecendo em sua vida de forma mais efetiva. Neste processo, o sintoma vai se desfazendo, pois vai perdendo o sentido de sua existência para o sujeito.
        Para que isso seja possível, a Psicanálise tem uma teoria enorme sobre o funcionamento do inconsciente e uma técnica específica de trabalho, que é a "associação livre " de idéias, ou seja, o paciente deita no divã (de preferência) e fala sobre tudo que está passando em sua mente, sem prejulgamentos ou filtro e, então, vão sendo feitas associações entre as coisas que estão sendo ditas, para que assim se possa chegar ao objetivo principal: o auto-conhecimento. Somente assim é possível haver a cura do sintoma.

        O importante é escolher aquilo que faz mais sentido e funciona melhor pra você.



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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sobre o Intocável






Achei incrível a forma como um assunto delicado é tratado com um humor cuidadoso e leve. Certamente, um dos melhores filmes que já vi – recomendo a todos.
Mas, além disso, um ponto especial do filme me chamou a atenção.
Há um momento na história de Philippe – um dos protagonistas, que é tetraplégico – em que um de seus fiéis funcionários diz que o novo enfermeiro contratado por ele não é bom o suficiente, o que preocupava a todos. Eles achavam que o moço não tinha compaixão para ser um bom cuidador. Neste momento, Philippe diz: “Era exatamente o que eu queria”. Claro. E ele tem toda razão. Não é nada saudável alguém querer isso. Mas, por que não?




Dó, pena, piedade. Estas são palavras da mesma família da compaixão. Quando alguém tem estes sentimentos por outra pessoa, significa não só que a está tratando com inferioridade, mas que está tirando sua autonomia para chegar ao alcance dos outros, que ilusoriamente são melhores. Essas palavras não tocam ninguém. Pelo contrário, só afastam. Ao dizer: “Oh, tadinho!”, toda a capacidade de ser “um igual” ou “normal” é arrancada da pessoa, como se estivessem dizendo que ela não será capaz de sair de tal situação quando, na verdade, tudo o que se quer é que sua posição prejudicada ou desfavorável seja reconhecida sim, mas acima de tudo compreendida, e que o foco esteja nos recursos que se tem para sair disso e pensar em todas as formas que se possa, de fato, ajudar pra isso acontecer, já que sentir pena não leva a lugar algum. Desta maneira, uma pessoa como Philippe ou mesmo alguém que se vê simplesmente aborrecido, encontraria uma maneira saudável de lidar com suas mágoas.
               Digo saudável, pois existem muitas pessoas que tem certa atração por essa tal posição e a todo o momento se colocam como vítimas dos acontecimentos da vida, como coitadas, o que só as fazem ficar cada vez mais fracas. Isso sim é enfermidade.

              


Assista ao trailer aqui. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sentir, Falar e Agir



      Certa vez, uma amiga me contou um ensinamento da filosofia budista que me encantou. Ele diz que devemos sentir, falar e agir a mesma coisa em relação a determinado assunto. Ou seja, temos que ser coerentes e alinhar o sentimento, a fala e a atitude que temos diante daquilo que, de alguma forma, nos comove.
        Muitas coisas passam despercebidas pela nossa mente e, apesar de sentirmos ou pensarmos de alguma forma, falamos ou agimos bem diferente disso, o que acaba nos confundindo.
        Os sentimentos, como já sabemos, existem justamente para serem sentidos, não para serem rejeitados. Não importa se estão certos ou errados, se são bonitos ou não, o que realmente importa é que eles são nossos, cada um a sua forma e é com eles que temos de lidar o tempo todo. Por isso a importância da coerência. Se não há uma conversa entre essas "instâncias", continuamos negando a nós mesmos.
         O fato de não conseguirmos estabelecer esta comunicação, pode estar ligado a inseguranças e medos que temos de assumir escolhas e bancar nossas próprias decisões. Muitas vezes, achamos mais fácil deixar nas mãos de outra pessoa, ou até mesmo do famoso "destino" as coisas que acontecem em nossas vidas - o que é um grande erro. Digo isso, pois toda vez que tiramos a responsabilidade de nossas mãos, perdemos um pouco de autonomia. Sendo grande ou pequena a atitude de escolher que temos diante de nós, opte por tomar as rédeas da situação, pensando sempre no que te faz melhor. Não tenha medo de errar, isso é grande parte do processo de amadurecimento. Não confunda responsabilidade com culpa, isso só vai te prejudicar e te deixar preso à questões que não são suas. Assim, além de todos os benefícios de se sentir dono do seu nariz, sem dúvida você vai se conhecer um pouco melhor.

quinta-feira, 19 de maio de 2011


   Sair da zona de conforto não é fácil pra ninguém. Já dizia o ditado: "Crescer dói". Encarar a vida real e suas dificuldades pode ser duro, mas pode também ser um fortificante natural. A dica é  tirar o máximo de proveito de cada obstáculo, e fazer disso uma experiência inesquecível, no melhor sentido que isso possa ter.
   Fazer de tudo um grande drama ou ocupar a posição de vítima não traz benefícios a ninguém. Só nos torna cada vez mais fracos.
   Quanto maior os desafios que vencemos, mais fortes ficamos, mais nos conhecemos e mais livres podemos ser.
   Pense em como é bom tomar as rédeas da própria vida e ser dono do próprio nariz.
   Termino com uma frase de George Bernard Shaw:

"Liberdade significa responsabilidade.

É por isso que tanta gente tem medo dela."

Tudo Por Você

   Uma palavra que, na minha opinião, deveria ser retirada do dicionário é altruísmo. Nenhum ser humano é capaz de realizar ou dizer algo a alguém sem pensar em si próprio. Antes de discordar, leia o que vem a seguir.
   Uma coisa que todos nós queremos em comum, é reconhecimento. Seja no trabalho, nos estudos, com os amigos ou com a família, onde certamente é o núcleo de tudo, estamos sempre buscando uma palavra ou um gesto que nos diga que estamos indo bem ou que fizemos algo bom. E então, nos vem aquela sensação de bem estar e segurança para seguir adiante, firmes e fortes. Ficamos frustrados quando isso não acontece.
   Portanto, quando digo que o altruísmo simplesmente não existe, não quero que pensem que somos maus ou extremamente egoístas - não é disso que se trata. O que quero dizer é que não fazemos as coisas pensando só e simplesmente no prazer ou felicidade dos outros, mas sim também em nosso próprio bem estar ao fazê-lo. Mesmo uma generosa doação a uma creche, tem seu desejo pelo sentimento de "eu sou do bem" e isso nos faz bem. Tanto é, que existem os que doam e os que não doam. Cada um busca um sentimento.
   Quando dizemos algo legal ou bonito para alguém, queremos, no fundo, que este alguém reconheça e demonstre algum tipo de agradecimento, mesmo sutilmente. Se realizamos uma obra super interessante, queremos mostrar àquelas pessoas específicas que irão de alguma forma a apreciar. Até aí, normal. Os que chamam a atenção são aqueles que sempre fazem as coisas esperando coisas de volta, como se estivessem fazendo favores o tempo todo. Isso sim é ruim.
   Mas, ainda sim, o que mais fere os meus ouvidos, é quando alguém diz que tomou alguma atitude, mostrando sofrimento, por outra pessoa. Isso não é verdade. Estou falando de frases como: "Não posso sair de casa, para não deixar meu pais", "Não peço o divórcio por causa dos meus filhos" ou "Eu menti para não magoá-la". Por trás dessas frases há insegurança e medo de assumir certas responsabilidades de grande peso, que causariam mudanças que achamos não estarmos prontos para enfrentar.
   A verdade é que está em nossas mãos conquistar aquilo que queremos, independente do que os outros pensam ou sentem em relação a isso. Buscamos  nossa própria felicidade sempre, o que é bom, acredite! Não temos o controle dos sentimentos dos outros e sim dos nossos.
   A próxima vez que disser algo desse tipo, pense no que isso representa para você, por trás do que representa para o outro.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E Essa Ansiedade Que Não Passa?!?



Alguns bebem, outros comem, outros fumam. A ansiedade está por todo lado. Em cada olhar aflito, em cada unha roída, em cada tremedeira e nas batidas rápidas do coração. Geralmente, ela não é das melhores sensações a se ter, mas, acreditem se quiser, ela tem seu lado bom.
Para podermos entender o que é ansiedade na psicanálise, precisamos saber que uma das coisas que rege o nosso psiquismo é o chamado Princípio de Prazer. É simples: a mente tenta sempre buscar o prazer e evitar o desprazer e, para isso, utiliza diversos mecanismos. Agora sim, vamos à origem.
Existem duas situações às quais a ansiedade se relaciona: situações traumáticas e situações de perigo.
Podemos dizer que as situações traumáticas são aquelas em que a psique recebe uma quantidade muito grande de estímulos e não consegue descarregá-los nem dominá-los, desenvolvendo então a ansiedade. Um exemplo clássico: o bebê com fome na ausência da mãe - ele não consegue obter prazer sozinho, satisfazer seu desejo de alimentar-se, então, sua mente é invadida por estímulos que não são nem descarregados nem dominados.
As situações de perigo se dão ainda antes disso. É quando agimos com ansiedade a fim de antecipar o início de uma situação traumática e evitá-la antes mesmo que ela se torne traumática, o que pode ser chamado de "ansiedade de alarme". No caso do bebê, a ausência da mãe cria uma ansiedade por ser uma situação de perigo pois, se ele tiver fome e ela não estiver presente, isso se tornará uma situação traumática.
Ou seja, o Ego sempre reage com ansiedade diante de uma situação de perigo para evitar situações traumáticas pois, assim, gera menos desprazer à psique.
A ansiedade serve como uma força para o Ego dominar as pulsões ("instintos").
Portanto, há uma grande importância dessa emoção na vida psíquica de uma pessoa. Se não nos sentíssemos aterrorizados com nada, não iríamos sobreviver.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quem Disse Que Ele Não É Moderno?

    Muita gente diz que as idéias do Mestre são ultrapassadas e não mais se aplicam aos dias de hoje. Claro que eu discordo totalmente desse pensamento e insisto em dizer que suas teorias sobre a psique humana são geniais e eternas.
    Deixo uma frase dele, para reflexão:

Freud


"...é principalmente através de sua própria experiência e infortúnios que uma pessoa se torna sagaz...de erro em erro, vai se descobrindo toda a verdade..."

  

Louco Talvez, Sozinho Jamais!


    Todos nós temos hábitos, manias e vícios que podem ser considerados um tanto quanto curiosos. Pra não correr o risco de sermos tachados como loucos ou mesmo estranhos, trancamos a maioria a sete chaves para protegê-los de qualquer tipo de julgamento ou rejeição.
    Mas existe também aquela pequena parte de nossos insanos pensamentos que nos causa uma vontade de abrir o jogo e compartilhar. Isso certamente só acontece quando encontramos alguém ou "alguéns" para dividir essa loucura - alguém que se identifique com esse nosso lado e nos faça sentir um pouco mais normais só por saber que não somos os únicos no mundo a pirar.
    Geralmente, a loucura quando é compartilhada perde seu status de loucura e, quanto maior o número de pessoas que participam desse grupo, mais normal ela se torna. Afinal, é o que eu costumo dizer, o normal é apenas uma questão de freqüencia e não do que é certo.
    Com as possibilidades crescentes que existem de se conectar com as mais diferentes pessoas e culturas do nosso planeta - e daqui a pouco quem sabe de outros planetas - nos sentimos mais a vontade de confessar nossas doidices e não ficamos mais tão chocados com as dos outros. O que se pensa é: tem louco pra tudo!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Auto-Sinceridade



É mesmo uma pena saber que tanta gente foge dos sentimentos mais puros que têm. Culpam-se pela falta de alegria, por sentirem raiva e sentem-se mal quando têm medo, enquanto tudo isso faz parte da natureza humana.
Claro que não é bom sair por aí gritando com todo mundo e nem se jogar na cama pra não levantar mais, mas não precisa ter receio e nem vergonha dos sentimentos, por piores que eles sejam - mesmo que só para você. Tudo bem sentir raiva. Não tem problema você ficar triste em alguns momentos. Triste é ter que ser feliz o tempo todo. Os sentimentos estão aí para serem sentidos! E é o melhor a se fazer.
O que não pode é esconder e nem guardar, principalmente de si mesmo pois, assim, eles ficariam reprimidos em algum lugarzinho da cabeça. Aí já viu...acabam escapando de algum outro jeito que, geralmente, não é nada agradável.
A sinceridade "interna" - aquela que é para nós mesmos - é essencial para que possamos ficar tranquilos e viver bem com as outras pessoas.


Arte de Elvis N. - http://www.ocasteloanimado.blogspot.com/